10 May

O CASO IANUS.


o assédio moral n o itaú - o caso ianus.

Ianus era um dos mais antigos habitantes de UATI. Contemporâneo do Grande Olavus Maximus. Gozava do respeito de todos. Conhecido por sua enorme sabedoria, acumulada ao longo das dezenas de anos de bons serviços prestados a Coroa de UATI.

Guerreiro ilustre e condecorado com as mais altas honras possíveis. Era sempre uma fonte de consulta e de amparo para os mais novos e menos experientes. Freqüentemente inquirido; sempre se mostrava atencioso e bem disposto para com todos os que o procuravam. Várias vezes, mesmo enfermo, Ianus comparecia a seu posto e dava sua contribuição nos assuntos sempre intricados, referentes ao comércio exterior de UATI.

Sua família esperava ansiosa que o tempo de descanso compulsório chegasse, para que o velho guerreiro finalmente pudesse repousar e aproveitar os poucos anos de vida que ainda lhe restavam. Faltava pouco. Apenas um ano e Ianus conseguiria atingir um patamar que obrigaria a Família Real a mantê-lo abrigado e alimentado, até que chegassem suas últimas horas. Essa honraria, era conhecida pelo título de “Civitas Cursus Honorum”. E era entregue numa cerimônia cheia de pompa, realizada nos salões do Castelo de Ceic’Nor. E o título, impresso numa paca de ouro era ofertado pelo próprio Egydium I; em pessoa.

Devido ao grande número de expurgos e ao extermínio de cidades inteiras; o que ficava cada vez mais freqüente em UATI, pouquíssimos cidadãos conseguiam atingir tal honraria. Mas todos achavam que Ianus conseguiria facilmente. Afinal, era elogiado e sempre requisitado, até mesmo, pelos mais poderosos chefes tribais de UATI. E sempre estava apresentando novas idéias e extrapolando limites. O próprio Egydium I, sempre requisitava suas orientações pessoais.

Por isso mesmo, ninguém vai esquecer daquela manhã do Nono Mês. Era véspera do Festival do Dia de São Olavus. Todos estavam animados e felizes por terem sido liberados das minas um pouco mais cedo. Assim poderiam aproveitar o resto do dia e divertirem-se no festival.

Ianus dirigiu-se para a pequena praça no centro da vila. Lá, havia malabaristas e mulheres lindas dançavam para a alegria do público masculino. Ele observava os corpos esculturais dançando e os diminutos véus esvoaçando despreocupadamente sobre aqueles corpos quase nus. Estava tão distraído que nem sequer percebeu, bem no meio da multidão, uma figura sinistra e totalmente vestida de preto que avançava ameaçadoramente em sua direção. Numa das mãos, portava uma pesada e afiada lâmina que reluzia sob o sol ainda forte. Olhou na direção do estranho reflexo que ofuscara sua visão das dançarinas. Não teve tempo sequer de emitir qualquer som. Num gesto rápido e impiedoso, a figura de negro ergueu seu braço e num único e certeiro golpe; decepou a cabeça de Ianus. Os que viram a cena juram que, enquanto sua cabeça rolava pelo chão empoeirado, O rosto de Ianus ainda exprimia surpresa e apreensão indescritíveis; e seus lábios tentavam balbuciar algo. A criatura não foi mais vista; pois, da mesma forma que surgiu, a figura sinistra dissipou-se no ar e desapareceu sem deixar vestígios.

Tempos depois, durante um ataque da resistência a um comboio uerreagariano, documentos capturados mostraram que a tal figura negra e misteriosa; nada mais era do que um Sacerdote Circular enviado para eliminar Ianus. A ordem era clara e vinda do próprio Egydium I. No comunicado, ele dizia que todos os “Antigos”, como eram chamados os anciões como Ianus, eram obsoletos e custavam muito ao Tesouro Real. Por isso mesmo, deveriam ser eliminados antes de atingir o status de “Civitas Cursus Honorum”. E conseqüentemente, economizar uma fortuna aos cofres do Tesouro Real de Uati.

Era assim que Egydium I mostrava sua gratidão a quem lhe servia com lealdade e honra.

12 Mar

MEUS AMORES EM UATI - III - (FINAL)





“G.”

Após aquele dia, nos transformamos em figuras inseparáveis. Graças ao meu status de nobreza, “G” estava relativamente protegida contra o assédio constante e persistente das maléficas figuras da Cancela.

Enquanto isso era necessário planejar sua fuga o mais rápido possível. Pois, em breve, todos saberiam que meu “sangue real” não me protegeria em nada; já que eu estava com “a praga”. E A Família Real e seu representante mais carniceiro: Egydium I; era bem claro com o que os atingidos por essa terrível doença deviam esperar por parte do governo de UATI: A execução sumária.

Aqueles, porém, foram dias memoráveis. Logo descobri que eu a amava e que o sentimento era recíproco. Sempre juntos, despertávamos os olhares cobiçosos e invejosos de muitos no castelo. Vivíamos um verdadeiro conto de fadas. Mas, em breve, tudo mudaria.

O diagnóstico da “praga” caiu sobre mim como uma bomba. Recorri aos meus familiares nos altos postos, mas fui abandonado. Ninguém queria se envolver. A única chance de escapar com vida, era mergulhar na clandestinidade e fugir da Cancela. Mas, um pensamento me atormentava: E “G”, como protegê-la estando à distância e na clandestinidade?

Eu era um homem marcado, levá-la comigo será temerário. Pois, se capturada ao meu lado, enfrentaria o mesmo destino. Então, fugi sozinho para o Banksfonium e deixei uma fiel amiga a cargo de protegê-la enquanto pudesse. Até que as coisas piorassem, pensaria em uma saída para nós.

E assim foi feito. Após minha fuga espetacular da Cancela; alguns meses depois, consegui por intermédio da Resistência, que “G” fugisse para lá também e me encontrasse sob uma nova identidade. Pelos menos por um tempo, estaríamos a salvo.

A vida parecia ter voltado ao normal e, finalmente, nosso amor podia prosperar. Pensávamos em morar juntos e construir uma família. Mas, como dizem: “Não há mal que sempre dure e bem que não se acabe”. E passou pouco mais de dois anos e um dos assediadores de “G” foi transferido, para uma função administrativa, para o Banksfonium.

Imediatamente, ao revisar a ficha pessoal dos habitantes, ele identificou a foto de “G” e, conseqüentemente, as nossas identidades falsas caíram por terra. Ela foi presa e eu, avisado por membros da resistência, consegui escapar do cerco. E, ao longe, tinha notícias freqüentes do que acontecia com ela.

Por meses, o maldito tentou fazê-la sucumbir ao seu assédio asqueroso. Sem sucesso, a acusou de traição falsamente e a despachou para a capital de UATI. Lá, no Castelo Ceic’Nor, ela foi submetida ao julgamento impiedoso de Egydium I e, mesmo apresentando provas de que todas as acusações contra ela eram falsas, o julgamento era apenas algo para satisfazer as autoridades internacionais. A sentença já estava dada muito antes de Egydium I pisar no tribunal real: A Execução.

Enquanto eu, desesperado, tentava organizar uma expedição para resgatá-la; a notícia de sua execução chegou até mim por um emissário da Resistência em Ceic’Nor.

Aqueles foram dias negros.


 

 

Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

 


24 Feb

MEUS AMORES EM UATI. (III-B)


Beijo.


“G.”

Após aquela noite, “G” passou a visitar-me na central de informações (onde era meu posto) quase todos os dias. Eu passava praticamente todo meu tempo vago em conversas sobre temas variados com ela. Sua mente privilegiada era espantosamente clara e coerente. De idéias fortes e próprias, tinha um pensamento bem definido sobre o que acontecia com ela. Sabia que a ameaçavam e a sobrecarregavam de trabalho. E que, se cedesse ao assédio constante, sua vida seria muito mais fácil ali.

Mas suas convicções a impediam de rebaixar-se aceitando a situação. Fingia ignorar as piadinhas e indiretas dadas pelos altos comissários e caminhava altiva pelos corredores do castelo; alheia aos comentários. Não demorou muito, para que eu fosse convocado à sala do comissário para prestar explicações sobre “um assunto importante”. Após algum rodeio e perguntas totalmente inócuas a respeito de informações sem qualquer prioridade, o comissário perguntou-me o que eu achava de “G”.

Estranhei a pergunta e o inquiri sobre seu interesse nela. Apesar de estar bem claro para mim (até pelo que ela me falara), ele insistiu que seu interesse era apenas “profissional”. Pois ela parecia ser um elemento avesso ao “trabalho em equipe”. Uma vez que se comunicava apenas comigo e rejeitava qualquer “contato” com ele e outros.

A situação era delicada. Uma resposta errada significaria encaminhamento para execução sumária. Eu; é claro, desconversei e não afirmei nada saber sobre ela. Naquela mesma noite, ao aguardá-la nos portões da Cancela, mais uma vez vi que ela chorava. O comissário dera-lhe um ultimato: Ou cedia as pretensões sexuais dele, ou seria encaminhada para as minas; onde a morte lenta e certa era inevitável.

Ela temia estar sendo seguida e soube que, seu marido, havia sido enviado para a área 229 (uma região longínqua e violenta de UATI ainda não pacificada) e lá morrera em circunstâncias misteriosas. Estava apavorada.

Eu a abracei e saímos dali o mais rápido possível. Nos encaminhamos para uma área próxima, na entrada da floresta anexa ao castelo. De lá não poderíamos ser vistos. E eu esperava conseguir acalmá-la e bolar uma maneira de tirá-la de lá, antes que fosse tarde demais.

Em seu choro convulsivo, ela me contou coisas sobre sua vida, como chegara a UATI iludida pela promessa de trabalho honesto e bem remunerado e que lá; só encontrara dor e sofrimento. Que as autoridades locais eram corruptas e se aproveitavam da fraqueza alheia para explorar os indivíduos. E no caso das mulheres, exigirem favores sexuais para não transformarem suas vidas num inferno.

Quanto mais eu falava, tentando acalmá-la, mais ela chorava e soluçava. Olhar naqueles olhos lindos, umedecidos pelas lágrimas e gritando um desespero tão profundo; me comoveu de tal forma que pensei em sair dali o mais rápido possível. Não queria me envolver em mais um problema. Já era um homem marcado e “eles” procuravam apenas um motivo para me assassinarem. Foi quando fiz menção de me levantar e ela, delicadamente, tocou meu rosto e deslizando sua boca úmida e quente pela minha pele, beijou-me.

(continua…)


18 Feb

MEUS AMORES EM UATI. (III-A)

Meus Amores em UATI, G Nua Pelada Sem Calcinha

 

“G”.


Sem dúvida, “G” foi meu grande e primeiro amor em UATI. Eu a conheci durante a “Grande Inundação” de 88. UATI passava por uma grande reformulação após mais um dos expurgos gigantescos de Egydium I. Após ter enviado os Sacerdotes Circulares para massacrarem algumas vilas recalcitrantes, os sobreviventes foram encaminhados a Cancela para servirem como mão-de-obra nas minas.

“G” era uma dessas almas. Apesar de mais madura, tinha cerca de vinte e oito anos na época, em relação aos habitantes da Cancela, ela irradiava uma aura de magia, mistério e sedução. Era extremamente calada. Ninguém ouvia sua voz e era muito raramente vista confraternizando com outros “locais”.

Tinha uma beleza toda peculiar: Uma pele macia e branca. Cabelos negros e fartos, que se derramavam pelo pescoço e colo como uma cascata macia e agradavelmente cheirosa. O corpo delgado e totalmente proporcional era dotado de curvas insinuantes e que causavam arrepios de satisfação nos atentos habitantes masculinos. O rosto delicadamente esculpido com feições orientais misteriosas e inquisitoras, que na verdade tinham sua origem nos indígenas que habitavam UATI em seus primórdios. Em seu rosto de beleza sem igual, os olhos eram a principal fonte de atração. Brilhantes, vivos e sempre profundamente atentos, irradiavam mistério, ardor e inteligência.

Uma voz levemente rouca; tornava ainda mais sensual e convidativa sua boca sedutora e carnuda. Coroada sempre por palavras que exprimiam uma inteligência acima do normal e uma opinião forte sobre o mundo que a cercava.

O andar sinuoso e cuidadosamente pensado fazia suas curvas realçarem-se sob as vestes sempre sobriamente provocantes. O caráter firme e a total refração as cantadas e assédios dos encarregados além da sempre silenciosa postura, deram a ela a aura de “esnobe”.

Rapidamente tornou-se alvo do assédio dos responsáveis pela área em que trabalhava. A pressão descarada e sem ressalvas, a condenou a um trabalho noturno e perigoso após sua recusa. Os piores serviços nos piores horários eram entregues a ela. Sempre sob os olhares famintos do capataz.

Naquele dia de 88, a “Grande Inundação” assolou todo UATI e como a Cancela ficava num baixio, foi atingida em cheio. Ao sairmos vários trabalhadores estavam amontoados no pátio alagado observando, desesperados, o nível da água subir. Sem terem por onde sair; a não ser retornarem ao castelo, muitos aguardavam junto aos muros por algum transporte que os ajudasse a retornarem aos seus lares. “G” era uma dessas pessoas. Foi quando um transporte emergiu do castelo e ofereceu-lhe ajuda. Ela correu para embarcar e o infeliz movimentou-se, afastando-se dela. Assim prosseguiu-se por duas vezes mais. Logo, a cabeça do maldito capataz, surgiu pela porta entreaberta do veículo as gargalhadas. Sob a chuva inclemente e ante as gargalhadas do animal, ela voltou-se para o castelo e caminhou tristemente de volta a multidão. Seus olhos e seu rosto irradiavam tal tristeza e desespero que, ao fitá-la, fiquei imediatamente penalizado e cativo de sua beleza.

Sem pensar, destaquei-me da multidão que se comprimia no pátio e a abracei, trazendo-a para a segurança de meu posto. Seus olhos estavam desolados, e percebi claramente que lágrimas corriam por seu rosto lindo e misturavam-se as gotas de chuva. Ela soluçava contidamente e procurava disfarçar a tristeza e a desolação que sentia. Ficamos ali a noite toda. Aquele seria o princípio de algo muito especial.

(continua…)

Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

03 Feb

MEUS AMORES EM UATI. (II)


Meu Amores em UATI (II) - H


“H.”


“H” era um tipo diferente de mulher. Baixinha e bem proporcionada, seus pouco mais de um metro e sessenta, eram convertidos em curvas estonteantes, seios bem formatados e de róseos mamilos salientes, as coxas roliças forradas com uma pele alva e pelos naturalmente dourados, faziam qualquer um delirar. Fartos cabelos louros e um rosto, que parecia ter sido pintado por um grande mestre renascentista; cravejados com duas pedras preciosas azuis como olhos e uma boca sensualíssima que brilhava como um rubi de alta pureza.

Criada nas praias de UATI, “H” era como um pequeno bibelô de porcelana. Frágil, delicada, extremamente sensível, mas inteligente e sagaz. Usava o dialeto próprio das províncias do norte e, às vezes, isso se tornava quase um idioma particular. Tinha alguns problemas familiares; sua mãe sofria com uma doença rara e os custos do tratamento eram pagos pela Fundação UATI; uma entidade criada por Egydium I, como forma de aliviar a pressão internacional das organizações de direitos humanos.

Mas, como tudo em UATI, precisar de um suporte como este, automaticamente transformava o pobre indivíduo em refém do sistema e presa fácil para os capatazes e responsáveis pelas administrações locais. Se tivesse a sorte de ser uma mulher jovem e bonita, conseguiria o suporte necessário cedendo as investias sexuais do (ou dos) responsável pela aprovação.

Foi nessa situação que conheci “H”. Numa noite eu estava terminando meu turno quando percebi, no terraço acima do pátio principal da Cancela, uma figura delicada que parecia chorar compulsivamente. Estava sozinha. Aproximei-me e perguntei se ela precisava de algo; se se sentia mal ou se gostaria que eu chamasse alguém que conhecesse.

Quando ela ergueu o rosto, com aqueles olhos azuis marejados de lágrimas; tomou imediatamente conta de meu coração. Já haviam passado alguns meses desde que “M” desaparecera, e a solidão me atormentava naquele local sinistro.

Em poucos momentos de conversa, ela abriu-se completamente e disse o que causara sua tristeza: Aluisius Louisis, um mandatário local e membro da casta dos chefeteutes; a perseguia assim que seu pedido de financiamento do tratamento da mãe, chegara para aprovação. A proposta era a mesma de sempre: Autorização por sexo.

Ela negara. E como bom canalha; Aluisius, diante dela, rejeitou a proposta sem sequer verificar a validade do pedido. Além disso, jurou que sua recusa lhe custaria caro. Naquele mesmo dia, as retaliações começaram: Sua escala de trabalho foi alterada; foi transferida para um posto degradante e perigoso no lado sul da Cancela, onde as condições de trabalho produziam dezenas de doentes todos os anos.

Naquela noite, ela tinha resolvido ceder e estava ali preparando seu espírito para entregar-se. Mas disse-lhe que se aceitasse, as chantagens continuariam. E ela acabaria vendo-se usada como um objeto sexual por vários outros canalhas como Aluisius. Pois, uma das muitas histórias que se contavam dele, era de que compartilhava suas “conquistas” sexuais com outros abutres iguais a ele. Desesperada, ela me abraçou e disse que não sabia o que fazer. Pensara até em suicídio.

Nesse momento, uma idéia saltou em minha mente. Suicídio. Era isso.

Enviei uma mensagem a um amigo de confiança. Saímos da Cancela logo após a troca de turnos e nos dirigimos a casa dele; que já nos aguardava. Lá, já havia montado uma rota de fuga para um local seguro. “H” não entendia e, pacientemente, expliquei-a nosso plano:

Haveria um grande show nas proximidades da Cancela, financiado pelo nobre local com o intuito de aplacar os ânimos do populacho. Eu e “H”, iríamos e nos misturaríamos à multidão. Com o acordo prévio feito por meu amigo, um dos organizadores do espetáculo, com os artistas estrangeiros participantes; aos quais conhecia. Quando recolhessem o equipamento e retornassem a sua terra natal; “H” e sua família iriam com eles.

Assim ela escaparia do constante assédio e sua mãe teria uma chance de tratamento no novo país. O único problema era escapar de Aluisius e seus guardas até o fim do espetáculo.

No dia marcado, fomos ao evento e aguardamos ansiosos. Por algum motivo, a segurança no local estava mais rígida do que de costume. Havia boatos de que a Resistência tentaria atacar as autoridades presentes. Aquilo era mau. Se a segurança estava mais rígida, era quase certo que Aluisius estivesse lá. Mal pensei nisso e vi sua figura execrável na tribuna. Examinava a multidão cuidadosamente com um binóculo.

Instintivamente, deduzi que procurava “H”. Como tudo em UATI, as paredes na Cancela tinham mais ouvidos e línguas que qualquer ser vivo existente. Certamente fora alertado de nosso plano e toda aquela baboseira sobre ataque da Resistência, era apenas para justificar a caça a sua “gazela”.

E era verdade. Ao perceber “H” entre a multidão, comunicou-se com a guarda e as unidades de segurança começaram a fechar o cerco ao povo, empurrando todos para próximo ao enorme palco. Quando a coisa parecia totalmente perdida, os artistas começaram o espetáculo antes da hora marcada. Certamente a pedido de meu amigo.

A multidão extasiada começou a dançar e se agitar, tornando impossível contê-la. A confusão era enorme e um grupo começou a formar um “arrastão dançante”, que logo era composto por centenas de pessoas. A multidão se acotovelava e quando o arrastão passou por nós, a mão de “H” soltou-se da minha e fomos separados.

Procurei por ela no meio da multidão que pulava, cantava e se agitava. Mas não a encontrei. A confusão também reinava na tribuna e percebi que Aluisius esbravejava e gritava ordens e palavrões para todo lado. Percebi que ele não a havia capturado.

Saí dali o mais rápido possível e mergulhei na noite. No dia seguinte, meu amigo confirmou que “H” já estava em segurança, juntamente com sua família. A mãe recebera tratamento médico e tudo havia saído como planejamos.

Alguns anos depois, já no exílio, recebi uma carta dela. Estava feliz, casara-se e sua mãe ainda vivia. Nunca se esqueceu de mim e rezava para que, algum dia, a Resistência torna-se UATI um lugar melhor para se viver.




Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

27 Jan

MEUS AMORES EM UATI (I)

m


“M”

“M” era uma mulher belíssima, um corpo escultural; lábios carnudos e coxas grossas. Uma mulata descendente direta de guerreiros trazidos para UATI pelos ancestrais de Olavus Maximus. Durante a fundação do país. Eu era ainda muito novo, quase uma criança na Cancela. Mas ainda lembro-se dela, como se a tivesse conhecido ontem: Mulher feita e inteligente reinava absoluta e soberana nos sonhos e desejos de muitos homens locais.

Era do tipo “inatingível”. Desejada por muitos e por nenhum conquistada. Quando a conheci, foi amor e desejo a primeira vista. Mas, para meu espanto, logo vieram me informar que esta mulher era marcada. Eu não entendia o que queriam dizer com aquela afirmação. Era tão bela, tão inteligente e carinhosa com todos; como podia ser considerada uma “intocável”? Porém, logo que minhas investidas se fizeram notar, eu descobri o motivo de todo aquele pavor em torno dela e do porque a evitavam.

“M”, havia sido escolhida por um dos líderes menores da Cancela como consorte. Contudo, a mulher de personalidade forte e decidida, o rejeitara. Atingido em sua virilidade e ridicularizado por seus pares, ele começou a perseguí-la. Todos que ousavam aproximar-se dela, “desapareciam” na noite; tragados por agentes a seu serviço ou denunciados falsamente a Polícia Secreta. Os que tinham sorte eram levados à torre principal e apresentados ao carrasco local. Pelo menos tinham uma morte rápida. Os menos afortunados; iam parar nas minas de sal; nos sombrios subsolos da Cancela. Invariavelmente, eram atacados por feras que habitavam as sombrias profundezas do castelo ou fiavam logo doentes devido às péssimas condições de trabalho.

Freqüentemente, víamos o maldito andando por entre as fileiras de trabalhadores, indo ao encontro dela e realizando suas investidas sujas. Ela sempre o repelia. A coisa era tão escandalosa, que o assunto já havia sido comentado na corte. E o próprio Egydium I, mandara emissários para investigar o assunto. Afinal, tudo o que ele menos queria, era uma revolta popular em suas mãos. Se um nobre menor não conseguia controlar seus impulsos, era muito menos trabalhoso eliminá-lo, do que de gastar recursos imensos com uma rebelião e possíveis manifestações da comunidade internacional.

Mas a vil figura tinha influência e familiares em altos postos na corte. Sendo sempre avisado das possíveis investigações e dos deslocamentos dos emissários reais. Nessas ocasiões, sempre mantinha a família da pobre mulher sobre vigilância e a chantageava com a possibilidade de assassinar todos; e ela inclusive, se algo fosse falado.

Numa dessas ocasiões, encontrei “M” chorando desconsolada. Havia sofrido mais ameaças e investidas. Conversamos muito; e contou-me todo o calvário pelo qual passava. Estranhamente, esses laços surgidos entre nós, acabaram por nos aproximar cada vez mais. E, sem percebermos, já éramos amantes.

Como membro da nobreza, eu era intocável ao poder do maldito. E, se algum “acidente” me acontecesse no castelo, minha família o esmagaria como o verme que era. Assim, secretamente, comecei a planejar a fuga de “M” e de toda sua família, para uma aldeia nas terras controladas pelo meu clã. Lá, ela e os seus, se veriam livres do maldito e poderiam viver em paz. Mesmo sabendo que isso me faria perdê-la para sempre; uma vez que meus planos futuros não envolviam a volta para a terra natal. Mas; era o certo a fazer.

Tudo estava combinado. Os planos feitos e as providências tomadas. Uma unidade de guardas me esperava na entrada da Cancela e a conduziria ao local combinado para que, de lá, fosse transportada a segurança. Descemos as escadas e atravessamos o portão da guarda; antes de alcançarmos o pátio onde meus guardas esperavam, uma voz conhecida e traiçoeira chamou seu nome na escuridão: Era o maldito.

Senti-a estremecer. Seu rosto moreno e lindo ficou pálido e pensei que fosse desmaiar. A figura nefasta adiantou-se saindo das sombras e vinha acompanhada de vários Sacerdotes Circulares. Contra eles, nada nem ninguém em UATI tinha poder. O maldito a acusou de crimes contra a nação e a arrancou de meus braços. Fiz menção de enfrentá-lo. Mas “M”, entre lágrimas, disse apenas: “Não; salve minha família”.

O maldito a empurrou violentamente, proferindo impropérios, e arrastando-a pelo pátio, mergulhando na escuridão de onde saíra. Os sacerdotes foram com ele. Tentei tudo para libertá-la. Mas, alguns dias depois, informantes me contaram que ela fora executada no templo; naquela mesma noite. Até o fim, negara as acusações e tripudiara sobre os desejos do maldito. E o pior:

Eu ganhara um inimigo mortal.


Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

14 Jan

EL DIRECTOR.

El Director - O Baba Ovo

 

 

Em cada cidade de UATI existe uma figura responsável por tudo o que acontece. Ele é “EL DIRECTOR”. Membros da casta dominante de UATI, Os Diretóriuns, eles são parte da nobreza uatiana e escolhidos a dedo pelo próprio Egydium I para representá-lo junto ao populacho.

Como ministros, eles demandam ordens e determinações que devem ser cumpridas pelos escalões hierárquicos mais baixos e, freqüentemente, culminam em atos de violência extrema e de mortandade exagerada. Tudo sob a égide do Grande Rei. Contudo, na esmagadora maioria das vezes, este, nem sabe das ordens dadas e executadas.

Certos de sua segurança e de seu status de intocáveis, alguns directores, exercem suas atribuições como verdadeiros déspotas. Tomam para si, atribuições que seriam pertinentes apenas do próprio Egydium I. Como sempre, seu séqüito de babaovóriuns atentos e receosos de qualquer reação negativa deles, cumpre a risca e acrescenta mais “alguma forcinha” a essas determinações. Criando, assim, uma verdadeira cadeia de atrocidades.

Um dos maiores representantes desta classe de déspotas, é o Director Nargilaudus Fontis Secus. Nobre de origem obscura atua com mão de ferro e pune exemplarmente a menor transgressão a suas determinações. Contudo, ao mesmo tempo em que atua maquiavelicamente enviando seu emissário de confiança o pérfido babaóvórium Enrico Caspelus. Servo leal e verdadeiro executor dos desmandos de Nargilaudus; filho bastardo de um antigo patriarca de UATI, Enrico aspira à elevação social sem, no entanto, perceber o asco e o desdém com que o tratam. Iludido e confiante de sua importância, vaga pelas cidades administradas por Nargilaudus semeando a morte e o terror entre os trabalhadores intercambistas. Estrangeiros que, em busca do visto de permanência em UATI, submetem-se ao trabalho quase escravo nas minas de CEIC-NOR. Longe de obterem a cidadania, a esmagadora maioria amarga apenas, a fome, as doenças e a morte prematura.

Quando se insurgem contra os maus tratos, são apresentados aos membros das “SS” ou pior; entregues simplesmente a Polícia Secreta e desaparecem sem deixar vestígios. Os que com ele conviviam, sabem que algo ocorreu apenas pelo fato de verem membros da Polícia Secreta recolherem os pertences da vítima e disponibilizarem seu posto de trabalho para outro intercambista. O círculo de medo e silêncio perpetua-se, assim, na forma mais vil que se pode conceber: A indiferença.

Dizem, na realidade, que as ordens despóticas de Nargilaudus são tomadas sob influência de uma velha feiticeira e sacerdotisa do Deus Bóllor. Mulher amarga e de maus bofes cujo nome já é conhecido da Resistência de UATI: Zuslayde Açucaratus Merdis Ângelus.

Sob sua influência maligna El Director propicia uma fonte constante de novas vítimas inocentes para os Sacerdotes Circulares oferecem em seus sacrifícios sangrentos ao Deus Bóllor. Nos meios ocultistas de UATI, seu nome é uma referência em matéria de sortilégios e poções malditas. Seus poderes, dizem alguns, afetam até mesmo esferas mais altas de CEIC-NOR.

 

 

 

Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

© 2008 Um País Chamado UATI

Designed by NET-TEC Hosting -- Made free by Bettwäsche | Kaminofen | Kontaktlinsen

Bad Behavior has blocked 236 access attempts in the last 7 days.